Pesquisa “Os porto-alegrenses e o consumo” registra o crescimento da nova classe média

A recente entrada de milhões de brasileiros no mercado de consumo afeta também o perfil do consumidor na capital gaúcha, que sofreu importantes alterações nos últimos anos. É o que aponta a quinta edição da pesquisa “Os porto-alegrenses e o consumo”, iniciativa exclusiva da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-Sul) para o Jornal do Comércio. Ao longo da segunda quinzena de junho, 402 pessoas foram entrevistadas em importantes zonas comerciais da cidade, como o Centro, a Avenida Assis Brasil, a Redenção e o Bairro Moinhos de Vento. A margem de erro da pesquisa é de 5 pontos percentuais para mais ou para menos.

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O fortalecimento de uma nova classe média fica evidente quando se analisa a evolução dos resultados nestes cinco anos da pesquisa. Na primeira edição, em 2009, cerca de 38% dos entrevistados encaixavam-se na classe B, contra 53% no levantamento de 2013. Aqueles que ganham de R$ 700,00 a R$ 3.500,00 por mês passaram de 55% no ano passado para 59% no levantamento mais recente, enquanto os que apresentam renda mensal superior a R$ 3.500,00 saltaram de 41% para 49%. Pesquisadora e professora da ESPM-Sul, Liliane Rohde destaca que o consumidor de Porto Alegre que circula nessas zonas de comércio tem características muito semelhantes às da própria cidade. “É um consumidor essencialmente de classe média, tanto a nova classe média quanto aquela já estabelecida. A cidade e os consumidores têm esse perfil sócio-econômico, que acarreta também em aspectos sócio-culturais.” Para a professora, na hora de consumir, a classe média é marcada por um certo tradicionalismo, mesmo que tente experimentar coisas novas.

Alguns aspectos deixam evidente a importância do ingresso de pessoas que começam a desbravar um novo cenário em suas rotinas: o hábito do consumo. A pesquisa mostra que, apesar de o número de pessoas que frequentam o cinema uma vez por semana ou mais ter diminuído, aqueles que frequentam as salas uma vez por mês, ou eventualmente, subiram de 2012 para 2013, enquanto o índice dos que não vão ao cinema caiu de 11% para 8,2%. Também tornaram-se hábitos frequentes dos porto-alegrenses ir a casas noturnas para assistir shows, jantar fora e viajar.

Outro reflexo importante dessa nova conformação no perfil dos consumidores é a preferência pelas grifes. Aqueles que admitem pagar mais caro por um produto de marca conhecida passaram de 30% em 2012 para 46% em 2013. “Esta preferência pela marca é um fator muito importante e também corrobora todos resultados que temos sobre o fascínio que marcas emblemáticas exercem sobre as classes populares”, explica Liliane. A pesquisadora salienta que essa percepção significa uma alteração importante no comércio gaúcho, no qual, até pouco tempo atrás, o fator preponderante era o custo-benefício do produto e não a sua marca.

Ao mesmo tempo em que preferem produtos conhecidos, 63% das pessoas responderam que ainda aguardam os períodos de liquidação para fazer as compras maiores, panorama que pode servir como indicativo para a atuação dos lojistas. “Apesar de querer pagar mais caro por uma marca, essa nova classe média ainda espera pelas ofertas, então é importante juntar as duas coisas. Se tivermos uma liquidação de produtos com marcas conhecidas, o consumidor vai se sentir mais atraído”, afirma Liliane.

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O boom das compras conectadas

A exemplo de edições passadas, chama a atenção a adesão do porto-alegrense à internet. Nas pesquisas anteriores, o uso frequente da rede já estava consolidado, mas ainda eram poucos os consumidores que se aventuravam a realizar compras online. Este cenário, no entanto, mudou drasticamente ao longo dos últimos cinco anos. Na primeira edição da pesquisa, 85% dos entrevistados afirmaram que jamais haviam comprado pela internet, enquanto que em 2013 apenas 37% disseram que ainda não experimentaram, pelo menos uma vez, a possibilidade do e-commerce. “Estes números incluem consumidores de classe C, que às vezes têm renda de até R$ 700,00 por mês e mesmo assim já compraram na internet. Esta mudança é muito significativa, e todos resultados apontam para uma presença maciça da internet”, analisa a professora da ESPM-Sul Liliane Rohde.

O percentual de quem compra sempre pela internet pulou de 2,5% em 2009 para 15% em 2013, o que ao mesmo tempo mostra o crescimento dos negócios online e permite observar que ainda há um vasto mercado a ser explorado pelo segmento. Segundo a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Camara-e.net), apenas em 2012 cerca de 10 milhões de pessoas compraram através da internet pela primeira vez, elevando para 42 milhões o número de brasileiros que usam o comércio eletrônico. O índice de consumidores que preferem comprar eletrodomésticos pela internet saltou de 0% em 2010 para 21% no último levantamento.

Entre os produtos mais adquiridos em transações virtuais, o momento é dos eletrônicos, que passaram de 25% no ano passado para 35% em 2013. “Todos estes dados nos levam a crer que o e-commerce está mudando a cara do comércio de Porto Alegre. O fenômeno que já aconteceu em outros países e em outras capitais agora está chegando aqui.” Nesta edição da pesquisa, investigou-se também a utilização da internet móvel. Apesar de 43,8% dos que responderam terem afirmado não fazer qualquer uso, um expressivo índice de 29,4% revelou que utiliza dispositivos móveis diariamente.

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Por: Jornal do Comércio

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About the Author:

Mestre em Economia, especialização em gestão financeira e controladoria, além de MBA em Marketing. Experiência focada em gestão de inteligência competitiva, trade marketing e risco de crédito. Focado no desenvolvimento de estudos de cenários para a tomada de decisão em nível estratégico. Vivência internacional e fluência em inglês e espanhol. Autor do livro: Por Que Me Endivido? - Dicas para entender o endividamento e sair dele.

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