O novo consumidor buscará mais satisfação

Autor: Hermano Mota

Compras que signifiquem maior qualidade de vida, lazer, saúde e educação estão se tornando cada vez mais parte do cotidiano de compra. Quando consumimos qualquer tipo de produto, estamos cada vez mais deixando de comprar o produto em si, mas sim a satisfação, conforto, comodidade e prazer que ele pode proporcionar.

Uma pesquisa realizada pelo Programa de Estudos do Futuro da Faculdade de Economia e Administração da USP revelou algumas das principais tendências de consumo nos próximos anos. Uma delas é que o consumo relacionado ao lazer e cuidados pessoais tende a crescer ainda mais, devido ao aumento da longevidade e a uma maior satisfação das necessidades básicas tradicionais, como moradia e alimentação.

Outra tendência é o aumento da industrialização dos alimentos para torná-los mais fáceis de serem digeridos. Isto possibilitará uma contínua redução de seus preços, ocasionando uma sobra maior da renda da população e o consumo de outros bens antes inacessíveis. Por outro lado, os produtos naturais, como os alimentos orgânicos, serão mais valorizados.

O entretenimento, o turismo e a construção civil estarão voltados para um consumo mais individualizado e de mais alto padrão. Os apartamentos novos tenderão a ser cada vez menores e os de um dormitório terão o maior aumento de demanda. Apesar disso, os jovens viverão por mais tempo na casa dos pais, a fim de estudar mais e se preparar para o mercado de trabalho. Estes mesmos jovens também consumirão, sempre que possível, produtos típicos de sua faixa etária, como viagens, carros e diversão em geral.

O aumento do consumo de produtos e serviços entre pessoas com mais de 55 anos é outra tendência apontada pelo estudo da FEA-USP. O aumento do número de idosos e seu consumo e as oportunidades daí decorrentes são algo tão expressivo que foi tema do artigo de setembro publicado na página da Academia de Empreendedores.

A crescente demanda por mão-de-obra qualificada e a competitividade maior farão crescer ainda mais os gastos com educação, em todas as classes sociais.

O desenvolvimento tecnológico possibilitará um aumento da segmentação individualizada de produtos e serviços, satisfazendo mais as necessidades individuais, que aumentarão em virtude da crescente incerteza das pessoas com relação ao futuro e da redução do número de casamentos e famílias, fatos estes já comprovados pelo IBGE.

Esta incerteza, aliada ao aumento da insegurança fará com que as pessoas invistam mais em si e em suas casas, para que tenham um ‘porto seguro’, um refúgio, e para que possam sair menos, tornando-as mais fáceis de cuidar e equipando-as com mais opções de entretenimento. Não é à toa que aparelhos para o lar que aliam entretenimento com alta tecnologia estejam se tornando os campeões de venda ou os novos sonhos de consumo dos brasileiros, como aparelhos de DVD, home-teathers e câmeras digitais. Sem falar nos computadores, que, de tão indispensável, já viraram mais um eletrodoméstico para muita gente.

Autor: Hermano Mota

By | 2017-05-26T22:50:17-03:00 14 janeiro, 2004|Categories: Artigos, Comportamento do consumidor, Consumo, Pesquisas|Tags: , , |0 Comments

About the Author:

Mestre em Economia, especialização em gestão financeira e controladoria, além de MBA em Marketing. Experiência focada em gestão de inteligência competitiva, trade marketing e risco de crédito. Focado no desenvolvimento de estudos de cenários para a tomada de decisão em nível estratégico. Vivência internacional e fluência em inglês e espanhol. Autor do livro: Por Que Me Endivido? - Dicas para entender o endividamento e sair dele.

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