Enfim, um mercado que não vai diminuir

Autor: Hermano Mota

Você provavelmente já tenha despendido horas e horas criando diversas estratégias de como melhor colocar determinados produtos e serviços no mercado. Então, responda francamente: em quantas destas vezes você já considerou o conjunto de pessoas com mais de 60 anos de idade ou das classes D e E como mercados promissores a serem explorados?

Uma pesquisa de mercado realizada pela Indicator GfK e publicada no jornal Zero Hora ouviu, durante dois anos, 1,8 mil pessoas em nove regiões metropolitanas do país e chegou a algumas conclusões que podem ser bastante importantes para as empresas.

A pesquisa mostra que os idosos no Brasil formam um grupo estimado em 15 milhões de consumidores (14% da população adulta), sendo a maioria mulheres. A renda total desta população, hoje, chega a R$ 7,5 bilhões ao mês, quantia nada desprezível levando-se em consideração que a expectativa é de que, até 2020, a população idosa no país dobre de tamanho, chegando a 30 milhões. Além disso, projeções da ONU publicadas na revista Isto É mostram que, até 2025, a população idosa brasileira terá acumulado o maior crescimento entre todos os países do mundo, 1514%, em 75 anos.

Este estudo também apontou que são idosos os responsáveis pela manutenção de 25% dos lares nacionais, ou seja, 47 milhões de domicílios, e 60% deles também declararam serem responsáveis pelas decisões de compra da família.

As maiores despesas dos idosos, segundo a pesquisa da Indicator GFK, são com o supermercado, totalizando 24% dos gastos. Em seguida vêm as despesas com planos de saúde, com 9%, luz, com 6%, e telefone, também com 6% do total de gastos. Das despesas pessoais, a maior proporção corresponde à compra de remédios, chegando a 10% do total da renda e, em seguida, contrariando o que possa ser a opinião da maioria, vêm as viagens, com 5%. Mais da metade dos pesquisados fez ao menos uma viagem no último ano, o que justifica o surgimento, principalmente em São Paulo, de agências de viagem especializadas em atender o público idoso.

Apenas 3% dos idosos pesquisados freqüentam clubes e praticamente um terço deles costuma freqüentar shopping centers ao menos quatro vezes por mês. Além disso, cerca de 20% dos entrevistados já utilizam computador pessoal, principalmente para pagar contas.

No Rio Grande do Sul, conforme dados do IBGE, a população idosa passou de 815,3 mil para 1,06 milhão em dez anos, entre 1991 e 2000, o que representa um incremento de aproximadamente 30%. Dos idosos gaúchos, cerca de 454.000 são homens e 611.000 são mulheres e, em 2000, de acordo com o último Censo, cerca de 644.000 idosos gaúchos eram responsáveis por domicílio, sendo 61% deles homens e 39% mulheres.

O envelhecimento da população, juntamente com a urbanização e a entrada das mulheres no mercado de trabalho, representou um dos três grandes fenômenos brasileiros do século XX e, ao contrário do estereótipo normalmente atribuído aos idosos, eles estão cada vez mais desejosos por uma ampla rede de serviços, personificados, que possam fazê-los aproveitar a vida de forma cada vez mais intensa.

A medicina, o turismo e o entretenimento são os setores onde estas necessidades são absorvidas mais rapidamente. Porém, na medida em que as empresas, em geral, perceberem o tamanho do mercado representado pelos idosos, elas passarão a vê-los como um dos mais promissores nas próximas décadas, em praticamente todos os setores.

Autor: Hermano Mota

By | 2017-05-26T22:49:33-03:00 07 julho, 2004|Categories: Artigos, Mercado, Pesquisas|Tags: , , , , |0 Comments

About the Author:

Mestre em Economia, especialização em gestão financeira e controladoria, além de MBA em Marketing. Experiência focada em gestão de inteligência competitiva, trade marketing e risco de crédito. Focado no desenvolvimento de estudos de cenários para a tomada de decisão em nível estratégico. Vivência internacional e fluência em inglês e espanhol. Autor do livro: Por Que Me Endivido? - Dicas para entender o endividamento e sair dele.

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